Mercado de Apostas Online em Portugal: Números, Operadores e Tendências
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O jogo online em Portugal ultrapassou os 1.230 milhões de euros
Quando comecei a acompanhar o mercado de apostas em Portugal, as receitas do jogo online mal ultrapassavam os 200 milhões de euros anuais. Uma década depois, os dados mais recentes apontam para receitas acumuladas que ultrapassam os 1230 milhões de euros. É um crescimento que reflete não apenas a popularidade crescente das apostas, mas a maturação de um mercado regulado que há dez anos mal existia.
Ricardo Domingues, Presidente do Conselho Diretivo da APAJO, analisou os dados do terceiro trimestre de 2026 como confirmação de uma expectativa do sector: uma tendência de desaceleração de crescimento que se justifica pelo amadurecimento do mercado. Esta desaceleração não é negativa – é natural. Os mercados crescem rapidamente nas fases iniciais e estabilizam quando a base de utilizadores atinge um patamar. O mercado português está a entrar nessa fase de estabilização.
Receitas brutas e crescimento anual: dados SRIJ
Os números do SRIJ contam uma história de crescimento consistente. No terceiro trimestre de 2026, os operadores licenciados geraram uma receita bruta de 297.1 milhões de euros, um crescimento de 11.6% face ao período homólogo. Para o ano completo de 2026, as receitas brutas de jogo online em Portugal atingiram cerca de 1175 milhões de euros, gerando 335 milhões de euros em Imposto Especial de Jogo Online.
Dentro deste total, as apostas desportivas à cota são um dos motores principais. A receita bruta das apostas desportivas no primeiro trimestre de 2026 foi de 114.9 milhões de euros, com um aumento de 14.3% face ao mesmo período de 2026. O futebol continua a dominar o volume de apostas, mas desportos como o voleibol, o ténis e o basquetebol contribuem de forma crescente para este total.
O crescimento das receitas não é uniforme ao longo do ano. Os meses com grandes competições de futebol – Campeonato Europeu, Mundial, fases finais da Champions League – geram picos significativos. Para o apostador de voleibol, isto significa que os meses em que o futebol domina a atenção são paradoxalmente bons para apostar em voleibol: os operadores mantêm os mercados de voleibol ativos, mas a atenção dos apostadores e dos analistas está noutro lado.
Um dado que enquadra a escala: o segmento de apostas online representou cerca de 75% do mercado global em 2026, e a Europa detém aproximadamente 44% da quota global. Portugal, como mercado éuropeu regulado, faz parte desta tendência – o jogo online suplantou definitivamente o jogo presencial como canal principal de apostas.
18 operadores licenciados: quem domina o mercado
Em 30 de setembro de 2026, existiam 18 entidades autorizadas a explorar jogos e apostas online em Portugal, das quais 17 em atividade. Este número tem-se mantido relativamente estável nos últimos anos, o que sugere que o mercado éstá consolidado em termos de participantes.
O que mudou nos últimos trimestres é a dinâmica interna. O número de contas ativas caiu 3.9% em termos homólogos no terceiro trimestre de 2026, apesar de crescer 0.9% face ao trimestre anterior. Esta queda homóloga pode reflectir uma concentração do mercado – apostadores que mantinham contas em múltiplos operadores estão a consolidar a atividade nos seus operadores preferidos.
Os novos registos de jogadores recuaram 22.7% face ao ano anterior no terceiro trimestre de 2026. Este número é significativo: o mercado éstá a atrair menos utilizadores novos, o que significa que o crescimento futuro dependerá mais do aumento do valor por utilizador do que da expansão da base. Para os operadores, isso implica investir mais em retenção e em produtos diferenciadores – e o voleibol, como nicho em crescimento, pode ser uma dessas ferramentas de diferenciação.
Não vou identificar quais operadores dominam o mercado ém termos de quota, porque esses dados não são públicos ao nível individual. O que é público é que os nomes mais reconhecidos – operadores internacionais com presença europeia alargada – tendem a ter a oferta mais completa de mercados de voleibol. Operadores mais pequenos ou mais focados no mercado nacional têm tipicamente menos cobertura para desportos de nicho.
Um dado que enquadra a dimensão do mercado: o Imposto Especial de Jogo Online rendeu ao Estado português 89.8 milhões de euros no terceiro trimestre de 2026, um aumento de 8.8% face ao mesmo período de 2026. Ao longo de 2026, o IEJO totalizou 335 milhões de euros. Estes números confirmam que o mercado gera receita fiscal significativa, mesmo com a desaceleração de crescimento – o que reforça o interesse do Estado em manter o quadro regulatório funcional e em combater o jogo ilegal que escapa a está tributação.
A composição do mercado também merece atenção. As apostas desportivas à cota são o segmento mais dinâmico, mas o casino online (slots, roleta, blackjack) e o poker representam fatias significativas. Para o apostador de voleibol, a relevância é indirecta: os operadores que têm maior receita global (combinando apostas com casino) podem investir mais em produtos de apostas, incluindo melhor cobertura de voleibol e odds mais competitivas.
Tendências: desaceleração e amadurecimento do mercado
A narrativa do mercado de apostas em Portugal nos próximos anos será definida pela tensão entre crescimento e regulação. Ricardo Domingues, da APAJO, identificou os fatores que condicionam está tensão: sem dificultar o acesso ao mercado ilegal (que absorve 40% dos jogadores) e sem tornar o produto mais competitivo face à oferta internacional, a desaceleração tende a manter-se.
A APAJO estima que o jogo ilegal gera entre 250 e 500 milhões de euros de receitas brutas anuais em Portugal – um montante que, se capturado pelo mercado legal, representaria um crescimento de 20-40%. A questão não é se existe procura; é se o quadro regulatório e fiscal permite que essa procura seja satisfeita pelos operadores licenciados.
Para o apostador de voleibol, estas tendências macro têm implicações práticas. Um mercado que desacelera em termos de novos utilizadores mas que mantém ou aumenta receitas por utilizador tende a ser um mercado com apostadores mais informados e mais exigentes. Isto pode traduzir-se em odds ligeiramente mais eficientes ao longo do tempo, à medida que a base de apostadores se torna mais sofisticada.
Ao mesmo tempo, o crescimento do voleibol como produto de apostas – impulsionado por parcerias como a da Stats Perform com a Volleyball World – pode contrariar parcialmente esta tendência. Mais dados, mais streaming, mais mercados atraem novos apostadores para o voleibol, e novos apostadores significam mais ineficiências temporárias nas odds. É um ciclo que beneficia quem já tem experiência no mercado de operadores licenciados em Portugal.
